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terça-feira, 29 de maio de 2012

Kamidana desmontável

Olá pessoal,

A alguns meses estivemos reunidos no Kawai Shihan Dojo para planejar um evento que realizaremos ainda neste ano. Discutindo a logística necessária às apresentações que fazemos de tempos em tempos, surgiu a idéia de fazer um kamidana desmontável que pudesse ser levado facilmente a qualquer lugar.

Quando trabalhamos a idéia alguns requisitos foram estabelecidos:

  • Ser fácil e rápido de montar;
  • Ser leve para que, desmontado, seja carregado por apenas uma pessoa;
  • Ser resisntente à umidade, chuva e raios solares;
  • Ser simples e agradável aos olhos.
Com estas diretrizes, elaborei o seguinte projeto:



O móvel todo seria composto de quatro táboas de madeira. Duas de 1,50m para o tampo e a frente da bancada e duas táboas na vertical - uma para os kanjis da palavra "aikido" e outro para a foto do fundador. Duas taboinhas serviriam para fechar as laterais do tampo.

Os kanjis seriam pintados diretamente sobre a madeira com a ajuda de um stencil cortado em vinil. O movel todo seria envernizado com verniz automotivo de poliuretano bicomponente, que já vem com proteção UV e não fica opaco quando exposto à luz solar muito tempo.

A madeira escolhida deveria ser leve mas muito seca, para evitar empenamentos, e razoavelmente resistente. Escolhemos Caixeta (ou Marupá).

O móvel todo é desmontado ou montado em menos de cinco minutos, com a ajuda de uma parafusadeira, sendo necessários apenas 8 parafusos. As laterais foram fixadas com dobradiças e se voltam para o interior do tampo. 

Foi um trabalho muito gratificante e gostoso de fazer. 

No final, ficou assim:


Algumas fotos do processo:


É isso aí pessoal! Abração a todos!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Arbalete #4 - Frankenstein!!!

Olá pessoal

Eu nem ia mostrar essa arma, mas no final, contra todas as expectativas, ela ficou funcional e resolvi mostrar o resultado. A história é a seguinte:

Fiz o blank com a laminação usual - duas lâminas de cedro, com uma de cerne de canela no meio e uma de jatobá por baixo das três para dar lastro - e não prendi o blank da forma correta durante a secagem. O resultado foi um blank empenado.

Mas depois de deixar ele uns 2 meses encostado, resolvi terminar a arma apenas pelo exercício. Ficaria muito fina e eu me perguntei várias vezes como faria para passar um elástico circular num cabeçote magrela. Até que o óbvio me atingiu quando vi a arma de um italiano:


Notem a foto do canto superior direito. São elásticos paralelos fixados com corda na madeira, o que proporciona um cabeçote menor.

Ainda assim cometi outros erros, como a furação do gatilho PK Sub que utilizei - que por descuido - atravessou o blank. Acabei tendo que fazer um guardamato gigantesco.

Um lado positivo foi o teste da pistola de pintura. Ficou um acabamento muito bom, melhor do que resina epoxi com pincel e rolo de espuma que eu usava antes. Usei vermiz PU bicomponente com 8 demãos.


Bom, de qualquer forma, seguem as fotos:





quarta-feira, 28 de março de 2012

Arbalete #3 - Finalizando a usinagem do blank

Boa tarde pessoal,

Nesta semana continuei a usinagem do blank e estou próximo de uma forma final. O contorno do cabeçote foi cortado e usinado com lixa 40 e 60. Também dei forma às abas laterais onde as barras de inox que prenderão o eixo das polias serão aparafusadas, atrás do cabeçote.

Fiz os furos e a usinagem dos recessos onde o elástico será preso por baixo da arma. Também arredondei os cantos vivos e dei uma lixada geral para emparelhar qualquer desnível.

Montei os elásticos de16mm com 50cm cada, para um curso total de 170cm somando-se a parte de cima do cano e a parte de baixo, entre o pino da seta e o recesso de ancoragem do elástico por baixo.

Ainda estou aguardando o torneiro terminar as peças que encomendei com ele, mas até lá, seguem as fotos:






Próximos passos: lixar até grana 320 para dar acabamendo pré pintura. Receber e montar as peças de tecnil, ajustar o gatilho e fabricar as peças de inox.

Abraços a  todos!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Torno de amarração e secagem para varas de pesca

Olá pessoal!

Eu ganhei de um colega de trabalho uma vara muito bacana para pescar robalos. Trata-se de uma Sengsum Victory Classic IM7 - 7'6"  para 10 a 25lbs.

Acontece que ela já viu dias melhores. Originalmente uma vara para carretilhas, foi transformada na marra em vara para molinetes. Um cabo de cortiça foi colocado, jacaré para o molinete e passadores novos... e isso foi a muito, muito tempo atrás. A cortiça estava esfarelando e o jacaré soltando.

Então um dia, já meio irritado com aquilo, resolvi pelar o blank e fazer tudo denovo. Depois de seguir algumas dicas valiosas dos amigos do Guia Pesca de Praia comprei umas táboas de pinho, arranjei um motor de prato de microondas, achei na bagunça uns tubos de cola de epoxi (araldite), uns pedacinhos de feltro, fios elétricos e fui à luta.

O resultado está abaixo:




A linha laranja é uma pequena homenagem ao GPP,que é um forum fantástico cheio de gente bacana com quem tenho o privilégio de compartilhar da companhia na areia, de tempos em tempos.

A amarração ficou muito longe de estar perfeita. Algumas passadas ficaram sobrepostas e pouco uniformes, mas ficou firme e seguro. Para quem aprendeu em vídeos no youtube, estou bem satisfeito com a primeira tentativa.

O cabo foi revestido com fita de autofusão. Não sei quanto tempo vai aguentar, mas a pegada é muito boa. No final fiquei com um conjunto bem funcional. Falta testar, mas acredito que não vai decepcionar.

Aquele abraço!


quarta-feira, 14 de março de 2012

Arbalete #3 - Continuação: usinagem do blank

Pessoal

Dando continuidade ao projeto da rollergun, fiz as canaletas de descanso das borrachas na tupia, em cima e em baixo.

Abri as cavidades onde ficarão as polias e colei madeira nas laterais para completar o tamanho do cabeçote para receber as polias - faltavam ali uns 7mm.

Como algumas pessoas acreditam que as imagens valem mais do que as palavras (há que se discutir sobre o assunto num post mais oportuno) seguem as fotos:




segunda-feira, 5 de março de 2012

Arbalete #3 - Começando a rollergun

Bom dia pessoal!

Neste último sábado, em meio às tarefas de manutenção da casa, resolvi começar a construir a minha rollergun. O projeto é uma cópia das rollers do Renato. As medidas do blank são 5cm X 3cm X 90cm de cano, o que dá um comprimeiro total de cerca de 110cm ou mais um pouco. Vou saber ao certo depois de terminar.


Comprei o blank do Leandro Pacheco, colega armeiro que vem fazendo canos de madeira artesanais de ótimo nível, vendendo com muita aceitação para todo o país. Foi feito com lâminas alternadas de jatobá e cedro, o que inicialmente pode parecer pesado - na água vai mostrar equilíbrio ideal na flutuabilidade. As armas que fiz em jatobá e cedro, até agora, afundam com a seta e flutuam após o tiro.


Nesta foto dá para ver o detalhe da laminação e o desenho de onde será feita a furação para o gatilho.


Esta, para quem não conhece, é a super plaininha para escavação da guia da seta. Quem se interessar em construir uma, tenho o tutorial aqui mesmo, no blog. Como a lâmina central do blank é de um cedro bem linheiro, a plaina funcionou muito bem. Dá pra ver pelo comprimento dos cavacos.


Com a guia escavada, fiz a furação e abertura da cavidade que deve receber o gatilho. Parei no sábado mais ou menos neste ponto. Para que se tenha uma idéia de como vai ficar, vejam a foto abaixo:


O gatilho e a carretilha Omer Match 30 serão usados nesta arma. A coronha e as roldanas não. São para outros projetos, mas já se pode ter uma imagem do produto final.

É isso aí galera! Até a próxima.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Arbalete #2 - Finalizada!

Olá pessoal,

Seguem as fotos da segunda arbalete. Já terminei faz um tempinho, mas estava devendo as fotos:





Seguem os dados da moça:
Arma de 110 com laminação em "T" alternando duas pranchas de cedro com uma de cerne de canela preta no meio. Na horizontal, por baixo, uma prancha de jatobá. 

Coronha laminada com cedro e canela rajada. Todas as laminações com fibra de vidro para reforço estrutural. 

Sistema de gatilho artesanal, solta linha, prendedor da coronha e guia de linha em inox, e carretilha artesanal em inox e tecnil com capacidade de 44 metros de linha 2,5mm.

Trabalha com duas 16 montados com miçangas de dyneema. Protetor de peito enborrachado e seta PK inox mola.

Ainda não foi para água... mas isso deve mudar no feriado do dia 15.

Abraço a todos!

sábado, 24 de setembro de 2011

Arbalete #2 - Gatilho e nova coronha

Olá Pessoal,

Já faz algum tempo não é? Bom, estou de férias desde segunda feira e tive algum tempo para dar sequência ao trabalho da nova arbalete. Nas fotos abaixo podemos ver a nova coronha.



Fiz uma nova pois a antiga tinha alguns problemas. Primeiro, era feita a partir de um bloco de canela maciça. Eu a havia cortado no sentido errado (fibra na vertical) e a havia esculpido usando a mão nua como modelo, quando na verdade estaria mergulhando de luvas.



Como vocês podem ver, a nova coronha é laminada com duas partes de cedro e uma no centro de canela, adicionando fibra de vidro como reforço entre as camadas. Isso resolve o problema da fragilidade. Também fui mais generoso nos espaços para os dedos e na furação da guarda do gatilho, o que resolve o problema de falta de espaço para as luvas.


O gatilho foi feito usando as peças do gatilho do Jackson - lá do Guarapas - como gabarito. Para minha caixa usei um tubo de inox retangular pois evita o complicado serviço de dobra. Funcionou muito bem, mesmo que eu tenha apanahdo por um bom tempo até acertar a furação.

Abaixo algumas imagens de como está ficando o conjunto, já com a carretilha:


A coronha será fixada no corpo da arma com dois parafusos de inox, além de resina epoxi, é claro:



Valeu galera!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Plaina para construção de arbaletes

Olá pessoal,

Aqui tem uma idéia que me ocorreu outro dia. Eu estava preocupado com a guia da arbalete que estou fazendo... estava pensando em comprar uma tupia para poder fazer a guia, uma vez que o marceneiro que eu conheço não tem uma fresa adequada a esta tarefa e a tupia dele chega a ser uma ignorância para este trabalho delicado. Não me preocupo com as duas outras tarefas que a tupia desempenha na construção da arbalete: o descanso das borrachas na lateral do corpo e o arredondamento do corpo na parte de baixo. Para estes serviços ele tem as fresas perfeitas.

Então, visitando um site de luthieria vi um tutorial sobre como fazer uma plaina. Segue o link com o trabalho fantástico do cara: Beluthier

Ele baseou seu trabalho em um projeto de um site americano (o link para o projeto original está no endereço acima).

Mas me pareceu razoavelmente viável fazer uma coisa mais simples para resolver meu problema. Uma pesquisa rápida na internet sobre plainas me mostrou que existem plainas com ferros (ou lâminas) dos mais diversos formatos. Algumas, usadas antigamente para fazer molduras chamaram a minha atenção:

  
O desenho acima é extremamente simples. Um sanduiche de madeira cortada nos ângulos corretos com um buraco no meio para a saída dos cavacos, um ferro arredondado e uma cunha de madeira para segurar tudo no lugar. Um pouco mais de pesquisa me trouxe a informação que faltava: o ângulo de ataque do ferro, que para corte a favor da fibra da madeira deve ser de 45 graus.

Então peguei uma sobra de angelim pedra que eu tinha em casa, fiz a marcação e fui para a marcenaria do meu amigo, que me ajudou a cortar na esquadrejadeira os pedaços da forma correta:



Depois de dividir a madeira em três fatias, sendo a do meio de 20mm, peguei este pedaço do meio e marquei um ângulo de 45 graus. Não jogue fora o pedaço que será cortado entre a parte anterior e posterior do miolo. Ele servirá de molde para fazer a cunha que vai segurar o ferro no lugar.

Feito esse corte, foi só dar um espaço de 2cm, mais ou menos, e aumentar o ângulo. Colei a parte anterior do miolo e levei para fazer a furação. Como estamos furando uma peça cheia de ângulos o correto é usar uma furadeira de coluna e uma broca especial, tipo fresa, e não as brocas chatas.
 
Esse serviço tem de ser feito por um marceneiro que tenha essa broca. Não tente fazer em casa com sua furadeira manual, nem com broca chata. Você só vai se machucar seriamente.


Agora chegou a hora de colar as duas partes que faltam: primeiro a parte posterior do miolo, com rampa em 45 graus onde o ferro vai descansar, e a segunda lateral, esta inteira, sem furação. Importante passar cola de forma uniforme por toda a superfície.


Grampear e esperar secar!


Um close da parte interna enquanto seca:


Enquanto isso está secando, vamos nos preocupar com o ferro. Na verdade eu fiz o ferro antes da madeira, mas tanto faz. Para fazer essa peça importante usei um pedaço de mola de Kombi, que tem aproximadamente 20mm de largura e uns 2mm de espessura. Molas de carros são feitos de aço 5160, com teor de carbono relativamente alto (o que quer dizer, duro o suficiente para reter fio) e têm uma grande vantagem: já estão temperados (a têmpera é o processo pelo qual se endurece o aço).

Logo, se tomarmos cuidado para que este aço não se aqueça demais durante o desbaste da lâmina, ele não perderá a têmpera.

Então cortei um pedaço da ponta da mola com a esmirilhadeira. O lado que cortei esquentou, e ficou destemperado. Podemos verificar isso quando aço adquire uma cor amarelada ou azulada. Isso é uma camada de óxido que se forma na superfície. Então usei o outro lado para fazer a ponta afiada do ferro.

Marquei o centro e, a partir dali - com  o auxílio do paquímetro - medi 7mm. Então fui para o esmiril para fazer o desbaste.

Para desbastar temos que ter muito cuidado para não esquentar. O ideal é, a cada passada pela pedra, mergular o ferro em água ou passar por baixo da torneira. Feito o formato arredondado na ponta, basta escolher um lado e começar a fazer o fio, criando um ângulo agudo - mas de apenas um lado, o outro deve ficar plano. O resultado foi este:


Do outro lado, podemos ver o ângulo do fio:


Bom, a madeira já deve estar seca. Depois de verificar a colagem coloquei uma folha de lixa 220 para madeira sobre uma pedra de granito que tenho aqui em casa (perfeitamente plana) e dei uma boa lixada esfregando a madeira na lixa. Lixei também a parte de trás e arredondei os cantos para não machucar a mão.


Para prender o ferro na plaina, escolhi um pedaço de marupá (madeira mais mole que o angelim pedra) e marquei com o pedacinho que sobrou do miolo e cortei a cunha.


Aí foi só remover o excesso de material:



Por último medi o meio da plaina e o meio da minha arbalete, e aparafusei uma guia de madeira de um dos lados da plaina:


Isso garante que a guia do arpão será escavada exatamente no meio da arbalete. A guia de madeira foi aparafusada para poder ser removida e trocada por outra de tamanho diferente quando eu for fazer outras arbaletes com medidas diferentes.

Resultado final:


Dicas de como trabalhar com essa ferramenta:

Comece com menos de 1mm de ferro para fora. Vai fazer apenas um risquinho na madeira. Vá aumentando ferro aos poucos, dando levíssimas marteladas no metal, e vá aumentando gradativamente a profundidada da guia na arbalete.


Corra a plaina de um lado da arbalete e se ficar um pouco fora de centro não se desespere. Basta virar a madeira ao contrário e correr a plaina no sentido oposto, para nivelar o corte. Se você nâo errou MUITO, isso não vai fazer diferença.

Mas como ficou o trabalho???


Toda essa guia foi escavada em apenas meia hora de trabalho. Depois de usar a plaina também é necessário enrolar um pedacinho de lixa 80 emum lápis e passar por dentro da guia para dar um bom acabamento. Gaste mais uns 20 minutos nisso. É tempo bem investido.

E aqui alguns cavacos produzidos pela minha mais nova amiguinha:


Acho que, para uma primeira tentativa, esse pequeno projeto foi um sucesso! Fiquei muito feliz com o resultado e acho que, assim como eu, qualquer bricoleiro que esteja fazendo arbaletes artesanais pode economizar um bom dinheiro na tupia. Pelo menos por um tempo. Para quem esteja pensando em se profissionalizar, aconselho comprar a máquina em algum momento - como eu mesmo estou pensando em fazer.
Abraços e água roxa pra todos!


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Nota: o colega Nelson Scarpa, também participante do Guarapa´s, me mandou o seguinte e-mail com algumas informações muito legais:

Jefferson! vc não me conhece mas faço parte tambem do Guarapas. Estive vendo seu blog, aliás parabens!!! e notei que postou uma plaina de madeira e vi que a usou para o rebaixo da seta. O Guilherme (Nome da Plaina), pode ser usado tambem na lateral (rebaixo do elástico) pois anos atrás era usada para rebaixos de caxilios de madeira tanto para portas como janelas.Eu tambem fabrico alguns arbaletes e acho que os viu no Guarapas na seção (links), tambem tenho um blog mas está desatualizado (scarpasub.blogspot.com).Abraços e Parabens pelas armas