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terça-feira, 29 de maio de 2012

Kamidana desmontável

Olá pessoal,

A alguns meses estivemos reunidos no Kawai Shihan Dojo para planejar um evento que realizaremos ainda neste ano. Discutindo a logística necessária às apresentações que fazemos de tempos em tempos, surgiu a idéia de fazer um kamidana desmontável que pudesse ser levado facilmente a qualquer lugar.

Quando trabalhamos a idéia alguns requisitos foram estabelecidos:

  • Ser fácil e rápido de montar;
  • Ser leve para que, desmontado, seja carregado por apenas uma pessoa;
  • Ser resisntente à umidade, chuva e raios solares;
  • Ser simples e agradável aos olhos.
Com estas diretrizes, elaborei o seguinte projeto:



O móvel todo seria composto de quatro táboas de madeira. Duas de 1,50m para o tampo e a frente da bancada e duas táboas na vertical - uma para os kanjis da palavra "aikido" e outro para a foto do fundador. Duas taboinhas serviriam para fechar as laterais do tampo.

Os kanjis seriam pintados diretamente sobre a madeira com a ajuda de um stencil cortado em vinil. O movel todo seria envernizado com verniz automotivo de poliuretano bicomponente, que já vem com proteção UV e não fica opaco quando exposto à luz solar muito tempo.

A madeira escolhida deveria ser leve mas muito seca, para evitar empenamentos, e razoavelmente resistente. Escolhemos Caixeta (ou Marupá).

O móvel todo é desmontado ou montado em menos de cinco minutos, com a ajuda de uma parafusadeira, sendo necessários apenas 8 parafusos. As laterais foram fixadas com dobradiças e se voltam para o interior do tampo. 

Foi um trabalho muito gratificante e gostoso de fazer. 

No final, ficou assim:


Algumas fotos do processo:


É isso aí pessoal! Abração a todos!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

10 anos do Shugyo Dojo em Curitiba

Neste final de semana tive o privilégio, juntamente com os colegas do nosso dojo e nosso mestre, Carlos Grisalt Sensei, de participar das festividades de 10 anos do Shugyo Dojo em Curitiba e prestigiar o trabalho desenvolvido pelo Sensei Gilberto Marecos.



Tivemos uma recepção calorosa, com direito a dormir no tatame da academia, usar suas instalações e café da manhã com os colegas de Curitiba. Muito mais importante, dois treinos excepcionais com amigos de Curitiba, Maringá e Londrina que vieram de longe para treinar.

Muito obrigado Gilberto Sensei, e parabéns!

O crédito da foto vai para o colega Charles Cesconetto.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Vídeo vintage de aikido


Muito bom esse vídeo. Trata-se de um trailer de um vídeo mais extenso, um evento de aikido que reuniu vários mestres em 1985.

Grande abraço a todos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A alegria de voltar a treinar

Carlos Grisalt Sensei aplicando jyu-waza em Altair Ireno dos Santos Sensei

Estive fora do tatami por cerca de 10 meses. Não foram poucos os momentos em que me peguei pensando nos treinos, nos colegas ou mesmo sonhando com alguma técnica ou princípio básico.

Nesta semana, na terça (dia 31) voltei a treinar. O corpo, como era de se esperar, ainda machucado por causa da cirurgia, vai ter de aprender a fazer tudo denovo. Mas primeiro vai ter de esquecer algumas coisas.

É interessante como a memória muscular trabalha... Nos coloca em um situação complicada, já que depois de um procedimento médico relativamente extenso a musculatura ainda tenta fazer os movimentos da mesma forma, provocando dor, reação involuntária e ato contínuo, ineficiência e frustração.

Para que se possa entender a extensão do problema que tive, removi uma displasia fibrosa com medidas de 7,5cm X 5,5cm da região proximal do fêmur direito (na parte interna do osso, logo abaixo da articulação). O buraco foi preenchido com enxerto ósseo da crista ilíaca (quadril) e enxerto inorgânico (material mineral).

A operação foi necessária porque havia uma fratura sobre o tumor, e para chegar até a região afetada foi necessário cortar através da musculatura da coxa. Esse corte deixa uma cicatriz interna grande. A atrofia da recuperação faz o músculo diminuir. Forma-se fibrose, e os pequenos problemas vão se acumulando.

Mas aí a coisa fica um pouco mais complicada ainda, pois a adequação a estes pequenos problemas passa pela cabeça e se define no tanden. Aceitar, conscientemente as mudanças, perceber onde o corpo está diferente, como ele se comporta agora, quebrar o condicionamento - adquirido com anos de treinamento - e reconstruir tudo denovo.

As chaves desde processo são o respeito e a tranquilidade.

Respeito com o próprio corpo. Sentir suas reações e se adaptar rapidamente. Não insistir, forçar ou exigir. Compreender que o limite, a linha que tanto exploramos durante os treinos, recuoou um tanto e desta forma é necessário adequar também as expectativas.

Tranquilidade para não deixar a ansiedade e a vontade de treinar, de recuperar o tempo perdido, nos levarem a um agravamento da lesão, o que - no meu caso - pode colocar a perder uma trajetória de alguns anos de treino. O tempo deve se tornar irrelevante.

Escrevo desta forma para que os colegas que passem por uma situação de afastamento, por mais séria que possa parecer, não se sintam desistimulados. A grande vantagem do Aikido sobre outras atividades, neste aspecto específico, é que não sendo uma arte competitiva (esportiva) as únicas cobranças que realmente existem são: aquilo que seu sensei sabe que você pode dar, e o que você espera de sí mesmo.

É muito difícil avaliar o que esperamos de nós mesmos, por isso em ambos os casos, confie no seu sensei.

Bons treinos a todos!



Informações para amigos interessadas no Aikido:
Kawai Shihan Dojo
Av. Dep. Antônio Edu Vieira, 1740, 2º Andar – Pantanal
(Em frente ao Centro Tecnológico da UFSC)
Florianópolis – SC
CEP 88.040-001

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A espada japonesa

Um dos meus assuntos de interesse é a cutelaria artesanal, ou a arte de fazer lâminas manualmente. Dentro desta vasta área de conhecimento, me fascina em particular o estilo tradicional japonês. Ao contrário do que apregoa o senso comum os japoneses não são somente fazedores de excelentes espadas, mas também de facas e ferramentas muito bem planejadas.

Katana by Kiyota Jirokunietsu - 2007

Mas vamos falar disso em outro post, afinal as espadas é que realmente ganharam a atenção do mundo ocidental.

Eu queria começar derrubando alguns mitos. Não existe nada de místico ou sobrenatural no processo de fabricação de uma espada. Tratam-se objetos construídos com diversas inovações tecnológicas que visavam extrair o máximo de rendimento que os recursos disponíveis poderiam oferecer (gerentes de projetos vão gostar desta parte).

Assim a ciência da metalurgia foi levada ao estado da arte durante a idade média por pessoas obestinadas como os japoneses, os árabes e os nórdicos com a finalidade de produzir instrumentos de corte (para o uso civil ou militar) mais eficientes.

O minério de ferro disponível no Japão é de baixa qualidade. Está repleto de impurezas que não poderiam ser removidas facilmente na época. Hoje contamos com fundições industriais onde atmosferas controladas e procedimentos variados adicionam ou depuram elementos agregados ao minério para compor aços com diferentes propriedades físicas, graus de pureza e aplicações na indústria moderna. O forjador, naquele tempo, contava apenas com a forja e com a sua inteligência para compreender a forma como o aço se comporta sob diferentes procedimentos.

A primeira forma de melhorar as ferramentas de ferro fundido foi a adição de carbono, que transforma o ferro em aço. No Japão isto era feito em uma fundição tatara. O aço, no entando, recém saído da fundição, apresenta um teor de carbono muito alto, o que o torna extremamente duro e quebradiço (teores superiores a 7% de carbono), além de trazer consigo todas as impurezas presentes no minério de ferro utilizado e no carvão utilizado no procedimento.

Nos próximos posts sobre este assunto vamos continuar a descrever este processo, até a finalização da espada.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Postura marcial na sociedade moderna

A algum tempo atrás, um evento significativo me fez repensar a forma como praticantes de artes marciais aplicam a postura marcial tradicional às suas vidas públicas e privadas.

Quando parei para pensar sobre muitos exemplos próximos de mim, encontrei adaptações interessantes e dicotomias marcantes, algumas até hipócritas. Uma dessas ocupou minha mente por muito tempo.

General Akashi Gidayu preparing to commit Seppuku after losing a battle for his master in 1582. He had just written his death poem, which is also visible in the upper right corner. From wikipedia on seppuku.

Dentro de academias ou instituições voltadas para o ensino de artes marciais é necessário algum tipo de organização. Normalmente o critério de liderança é o de senioridade, graduação ou baseado nas relações mestre-discípulos.

Qualquer um desses critérios é baseado em hierarquia, a base de qualquer relação marcial, que por sua vez tem origem na prática militar. Mas isso se adapta às nossas relações civis enquanto praticantes de artes marciais? A alternativa, mais comum em instituições mais formais (aquelas com personalidade jurídica constituída, por exemplo) é a democracia, com chapas, eleições e tudo mais que se pressupõe.

Na prática vi tentativas incompletas com as duas alternativas. Democracias que elegeram os líderes do topo da hierarquia, e que deixaram descontentes pessoas na base da cadeia de comando, e também lideranças 'naturais' no contexto marcial que abriram, de alguma forma, mão do controle inerente à sua posição.

Mas me parece (considerem feito o convíte à crítica aberta) que o problema, em ambos os casos, reside na necessidade que temos de abordar a realidade de acordo com a forma que mais nos convém. Em algumas situações as pessoas (incluso este que lhes escreve) optam por suportar a interpretação literal da tradição. Em outras querem a a flexibilidade e os benefícios das práticas civis, sociais e modernas da gestão colaborativa. Tentam fundir as duas coisas para tirar o melhor proveito dos dois mundos. Alguns casos são bem sucedidos, outros ficam fadados ao desastre.

Não posso dizer que tenho uma proposta ou conclusão madura sobre o assunto. Me parece, no entanto, que não vivemos mais no Japão feudal. Não temos mais a obrigação de morrer pelo suserano. Ao mesmo tempo devemos observar que, com a experiência, vem o respeito. Com o conhecimento vem a gratidão. E dentro desta linha de pensamento devemos aceitar o que nos é solicitado, desde que não venha a destruir o que temos como nossos valores básicos pessoais. Praticamos artes marciais, não militares.

Afirmar mesmo, só afirmo com certeza que estou feliz em treinar apenas em um dojo, sob a orientação de um sensei cuja visão das artes marciais, do mundo e do aikido eu respeito e admiro. Tenho sorte. Se não fosse desta forma, estaria fazendo outra coisa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Transitório

Não imaginei que o segundo post, ou melhor, o primeiro com algum sentido, fosse ser tão sério. Ontem deixou a nossa companhia o senhor Reishin Kawai. Para uma biografia resumida da vida de Kawai Sensei visite o site oficial da Academia Central de Aikido.



Aqui apenas posso falar o que ele representou na minha vida. Eu poderia explicar como o conheci, como o aikido que ele introduziu no Brasil influenciou minha vida, como me fez uma pessoa melhor. Em termos gerais não estaria mentindo. Nem um pouco.

Mas sinto que estaria me apropriando de uma intimidade que não existiu. Seu trabalho me tocou intimamente. A minha existência talvez tenha sido notada apenas algumas vezes, lembrada outras poucas.

A maior influência acontece de fato através de uma rede de acontecimentos. Seus ensinamentos, transmitidos através de seus alunos, hoje professores com quem tive e tenho o privilégio de treinar, ou diretamente por ele em um dos seminários dos quais tive a sorte de participar. Pessoas que estiveram com ele estiveram comigo, e me transmitiram o que ele ensinou.

Isto me fez refletir sobre a gratidão, em especial aos ancestrais. Os japoneses mais antigos têm o hábito de agradecer aos ancestrais pela comida. Por terem descoberto como cultivar os grãos, preparar a refeição, e assim por diante. A morte de Kawai Sensei me fez descobrir algo mais sobre gratidão, na forma como se agradece aos ancestrais.

Não sei se estou triste. Acho que sim, afinal estou calado e pensativo. Penso sobre o que é transitório. E sobre o que nasce a partir do transitório e se perpetua através do legado. Como os ancestrais perpetuaram a nossa existência.

Devo ser grato.

Domo arigatou gozaimashita sensei!