terça-feira, 8 de março de 2011

Arbalete de madeira #1 - terceira parte

Bom dia pessoal,

Depois de terminar a secagem do blank foi necessário remover as rebarbas de fibra de vidro e resina que ficaram na madeira. Para cortar fora a fibra de vidro usei um alicate de corte e um facão (apoiado com uma mão no cabo e outra nas costas da lâmina) bem afiado para raspar a resina. Melhou muito, mas não ficou perfeito. Infelizmente não fotografei esta parte.

Para melhorar, resolvi retornar à marcenaria do meu amigo e passar o blank pela galopadeira. Essa máquina nada mais é do que uma plaina elétrica movida por um potente motor que pode ser regulada para retirar apenas um milímetro por passada.



Depois de uma ou duas passadas de cada lado, cuidando para que a madeira ficasse no esquadro, a superfície está limpa e parelha. A foto está horrível, tirada pelo celular, mas dá para ter uma idéia. Em seguida cortei 20cm fora de um dos lados, para fazer o cabo. Mais um erro!



Erro #4: quando comecei o projeto perguntei a alguns entendidos e caçadores o que queria dizer a medida dos arbaletes. 50, 75, 90, 100, 110, 120cm... era a medida total ou somente do cano? Três pessoas diferentes afirmaram categoricamente: é o comprimento total da arma. Grande erro! Só descobri isso depois de medir o cano de duas armas Divecom, uma PK e uma Sporasub em uma loja. Trata-se do comprimento do cano. Logo, meu blank cortado a 90cm não teria um cano de 90. Então aproveitei e comprei uma borracha inteiriça com terminal de aço inox da Cobrasub (R$ 50,00) e um arpão galvanizado de 110cm (R$ 29,00). Acho que paguei caro!

De quebra descolei (por R$ 15,00) uma carretilha velha e meio detonada de um arbalete Cobrasub.



Já comecei a fazer modificações na carretilha e um suporte para ela, mas ainda não está terminado. Este será o tema do próximo post.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Arbalete de madeira #1 - segunda parte

Bom, vamos aos primeiros passos na fabricação: primeiro passo é colocar as lâminas com as fibras orientadas conforme o esquema do Jackson. Isto é importante! Notei que as três táboas estavam ligeiramente empenadas mas depois da colagem uma compensou a outra e o resultado foi um blank completamente reto.

Em seguida comecei a cortar a fibra de vidro em tiras finas adequadas ao tamanho das minhas táboas:


Cortei o suficiente para cobrir uma táboa:



Logo depois foi a hora de misturar a resina epoxi e o catalizador.



Erro #1: não deveria ter misturado no olho. Deveria ter usado uma balança digital portátil, dessas usadas em culinária, para misturar quantidades exatamente iguais. O resultado não foi como eu esperava... a viscosidade ficou muito grossa e difícil de aplicar. Usei uma caneta velha para misturar:


Então passei uma camada de resina na parte interna da primeira táboa de jatobá, para em seguida aplicar uma camada de fibra de vidro:



Em seguida mais uma aplicação de resina e prendi a táboa de marupá sobre a primeira táboa, fixando tudo com os grampos de mola. Prendi os grampos de forma que o conjunto ficasse preso à bancada, para ter certeza de que tudo ficaria reto. Usado a bancada como gabarito, pretendi evitar algum empenamento durante a secagem. Esse acabou sendo o meu segundo erro.

Erro #2: não deixe as lâminas secarem em contato com alguma coisa. A resina escorre e gruda em qualquer coisa que estiver em contato. Tive que desgrudar o blank com uma alavanca, correndo o risco de machucar a madeira e deixando um monte de resina seca na minha bancada:


A primeira colagem revelou o terceiro erro:


Erro #3: não colocar os grampos todos do mesmo lado. Isso fez com que a pressão fosse exercida apenas de um lado para o outro, e não de forma uniforme, dos dois lados para o centro. Por isso a táboa de marupá correu alguns milímetros. Infelizmente eu cometi esse erro nas duas colagens antes de me dar conta da causa.

Depois de 24 horas de secagem foi só reproduzir o mesmo procedimento para a terceira táboa:


Desta vez, pelo menos, tive o bom senso de colocar para secar no chão forrado com jornal sobre suportes. Depois foi só jogar fora os jornais. O resultado final ficou aceitável: as três táboas, ligeiramente desalinhadas em pouco mais de 1mm, com camadas de fibra de vidro entre elas.


É isso aí! Amanhã tem mais.

Arbalete de madeira #1 - primeira parte

Olá pessoal.

Recentemente, motivado por colegas de trabalho que mergulham já a muitos anos, resolvi aprender pesca submarina. Descer somente com uma respiração, procurar o exemplar correto, abatê-lo e subir. Trata-se da forma de pesca mais seletiva e ecologicamente correta, se observarmos algumas regras básicas.

Bem, o equipamento envolve roupa de mergulho, faca, nadadeiras, máscara, snorkel, cinto e lastro, boia de mergulho e o abalete. O arbalete é a arma de caça, basicamente uma haste ou tubo que tensiona um elástico forte preso a um arpão de ferro ou aço que é contido por um mecanismo de gatilho. Coloque uma coronha e pronto.

Arbaletes são feitos de peças de plástico injetado e tubos de alumínio. Alguns malucos fazem arbaletes artesanais com madeira!

Aqui está o meu problema... duas palavras às quais não consigo resistir... madeira e artesanais. Resultado: sem nem mesmo aprender a mergulhar já comecei a fazer o meu primeiro arbalete de madeira. E já sei que não será o único!

Bom, este primeiro post é para falar de onde veio a idéia e falar sobre os materiais e o projeto. Na seqüência vou postar a evolução dos trabalhos que serão feitos aos sábados, quando possível. Outra idéia é colocar com clareza os erros e acertos do projeto conforme for executado.

O PROJETO

Resolvi usar um esquema feito pelo colega Jackson do forum Guarapas (o melhor forum de pesca sub do Brasil). Muitas dicas importantes foram pegas observado o trabalho de outros feras como o Renato de Palmas/TO. Olhem o desenho do Jackson:




Resolvi fazer este carinha. Parece simples e funcional. Para simplificar mais ainda resolvi usar peças prontas onde for possível: serão usadas carretilha, sistema de gatilho, elástico e arpão comprados no mercado.

DICA #1: tenha um amigo marceneiro. Um marceneiro profissional não vai querer alugar a oficina (até por medo de você deixar um dedo em uma de suas máquinas) nem fazer o trabalho para você. Se for fazer o trabalho vai te cobrar muito mais do que valeria a pena. É um excelente atalho pois ele pode te ensinar muitas coisas, além de possuir máquinas que ajudam muito e poupam tempo.

Bom, armado com o esquema do Jackson fui visitar meu amigo marceneiro. Ele me arranjou duas táboas de jatobá e uma de marupá com 4cm X 1,5cm X 110cm. Estas medidas seriam para um arbalete de 90cm e a sobra eu vou usar para fazer a coronha (a madeira foi trocada por um pedaço de jacarandá):



Aqui estão as três táboas antes de colar. Para este arbalete eu queria usar um elástico de 2omm ou dois de 16mm. Então para aumentar a resistência decidi laminar com filbra de vidro (cerca de R$ 7,50):



Para colar isso tudo usei resina de epoxi. Comprei na loja de ferragens dois potes num total de 850gr (por 27,00) que deve dar para laminação e impermeabilização no final.



E tinha que segurar isso tudo junto para secar durante 24 horas. Para isso decidi usar grampos de pressão (comprados a R$ 3,00 a unidade):



Para finalizar um pincel (R$ 2,00):




IMPORTANTE: Segurança em primeiro lugar! Resinas e fibra de vidro podem ser perigosas se inaladas ou em contato com a pele por muito tempo. Recomenda-se o uso de máscara e luvas. Mais importante ainda, proteção para os olhos. É muito fácil esquecer e limpar os olhos com as mãos sujas com as pequenas fibras e causar um grave acidente.




É isso aí! Daqui a pouco eu começo o trabalho propriamente dito. Nos próximos dias mais um post!